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Segundo a psicologia, estas frases ditas sem pensar revelam grande falta de confiança.

Mão gesticulando sobre mesa com caderno, café e telemóvel, pessoas ao fundo em café iluminado.

Você abre a boca numa reunião e, antes mesmo de partilhar a sua ideia, ouve-se a dizer: “Isto pode soar estúpido, mas…”
A sala fica um pouco mais silenciosa do que esperava. As pessoas mexem-se nas cadeiras. A sua ideia não é má de todo e, no entanto, de alguma forma, chega mais pequena do que parecia na sua cabeça.

No caminho para casa, volta a passar a cena em loop. Não a ideia. A frase antes da ideia.
Porque é que eu disse aquilo?, pergunta-se.

Os psicólogos dizem que essas frases descartáveis que espalhamos por todo o lado não servem apenas para preencher o silêncio.
Elas transmitem, discretamente, a forma como nos vemos.
E a mensagem costuma ser mais dura do que alguma vez nos atreveríamos a dizer em voz alta.

Esses pequenos avisos que esmagam a sua credibilidade

Há certas frases que soam inofensivas, até educadas, mas funcionam como um botão de “mute” da sua confiança.
“Não sou especialista, mas…”, “Desculpem, isto provavelmente é parvo…”, “Posso estar enganado(a), mas…” - todas fazem o mesmo. Dizem às pessoas para não o(a) levarem muito a sério antes de sequer falar.

Os psicólogos chamam a isto “linguagem de auto-sabotagem preventiva” (self-handicapping language).
Você coloca a sua própria ideia em julgamento antes de qualquer outra pessoa.
Parece protecção.
Na realidade, é auto-sabotagem com um sorriso.

Imagine uma jovem gestora de projecto num ponto de situação semanal. Ela tem uma solução sólida para um problema recorrente. Os números sustentam-na, o feedback do cliente é claro.

Ela pigarreia e começa com: “Isto provavelmente é uma má ideia, mas eu estava a pensar…”
Instantaneamente, as expectativas da sala caem. Um gestor sénior verifica o telemóvel. Outro colega arquiva mentalmente a ideia na categoria “opcional”.

Mais tarde, outro membro da equipa propõe praticamente a mesma solução, só que começa com: “Eis o que recomendo.”
Mesmo conteúdo, embalagem diferente.
Adivinhe de quem é a ideia que o grupo decide avançar.

Do ponto de vista psicológico, estas frases são um escudo.
Se a sua ideia for rejeitada, pode dizer a si mesmo(a): “Bem, eu até disse que era parva.” Isso amortece o golpe no ego.

O problema é que o seu cérebro - e toda a gente a ouvir - começa a acreditar na sua própria “RP”.
A auto-desvalorização repetida treina a sua mente para o(a) colocar na categoria “menos competente”.
Com o tempo, a sua identidade acompanha a sua linguagem. Se soar inseguro(a) tempo suficiente, começa a viver de forma insegura.

As desculpas escondidas que não repara que está a pedir

Outro grupo de frases que matam a confiança são as desculpas constantes. Não por erros reais - por existir.
“Desculpe, uma pergunta rápida…”, “Desculpe, posso só acrescentar uma coisa?”, “Desculpe se isto é óbvio…”

Os psicólogos falam de “sinalização de baixo estatuto”.
Você encolhe-se verbalmente para evitar ocupar espaço.
À superfície, parece simpático, flexível, até humilde. Nos bastidores, o seu sistema nervoso está a suplicar: Por favor, não fiquem zangados por eu estar aqui.

Já todos passámos por isso: aquela altura em que acende a notificação de mensagem e a primeira palavra é “Desculpa” - mesmo quando a pessoa não fez nada de errado.

Um estudo de 2021 da Universidade de Waterloo concluiu que as mulheres, em particular, pedem desculpa com mais frequência - não porque ofendam mais, mas porque percebem mais coisas como “ofensas”.
Vê-se isto em escritórios open space e em chats de grupo.
Uma colega escreve: “Desculpem a mensagem longa.” Outra acrescenta: “Desculpem se estou a exagerar, mas este prazo é apertado.”

Leia isso de novo como se fosse um(a) estranho(a).
Nunca diria que são adultos a fazer o seu trabalho.
Soam como convidados nas suas próprias vidas.

Psicologicamente, o “desculpem” crónico mantém o seu sistema nervoso num lume brando de culpa.
Está a ensaiar a ideia de que é sempre “demais” ou que está ligeiramente a atrapalhar.

Com o tempo, isto corrói o seu sentido interno de legitimidade para falar, pedir ou discordar.
Sejamos honestos: ninguém conta realmente quantas vezes você pede desculpa - mas o seu cérebro conta.
Cada “desculpem” sem uma ofensa real ensina-lhe que simplesmente ocupar espaço precisa de justificação.

Como falar como alguém que confia discretamente em si próprio(a)

A boa notícia é que a linguagem é uma das partes mais treináveis da auto-confiança.
Não precisa de fingir arrogância nem de copiar o estilo de outra pessoa. Só precisa de pequenas substituições, repetíveis.

Comece por apanhar as suas “frases-gatilho”:
“Não tenho a certeza, mas…”, “Isto pode ser estúpido…”, “Desculpe, só uma coisa rápida…”
Quando as ouvir na sua cabeça, pare por dois segundos.
Depois, retire-as.

Diga a frase outra vez, mais limpa.
“Isto pode ser estúpido, mas podíamos experimentar testes A/B” passa a “Podemos experimentar testes A/B.”
O mesmo pensamento, uma presença completamente diferente.

Nos primeiros dias, vai parecer estranho. Vai sentir-se tentado(a) a voltar a pôr o “acolchoamento” antigo.
Vai preocupar-se que as pessoas o(a) achem brusco(a) ou insistente. É normal. O seu sistema nervoso está habituado a esconder-se atrás da suavidade.

Em vez de se julgar, trate isto como uma experiência.
Repare como as pessoas realmente reagem quando corta a auto-crítica.
Muitas vezes, não acontece nada de mau. Às vezes, até o(a) ouvem mais.

A armadilha é ir depressa demais e tentar soar como um orador do TED de um dia para o outro.
Quando a mudança parece falsa, o seu cérebro revolta-se. Pequenas mudanças, repetidas muitas vezes, vencem uma grande transformação dramática.

O psicólogo Guy Winch coloca isto assim: “A forma como falamos connosco em público ensina os outros a falarem connosco, na mente deles.”

  • Troque desculpas por agradecimento
    Em vez de “Desculpem o atraso”, experimente “Obrigado(a) por terem esperado por mim.” Mesma responsabilidade, menos auto-anulação.
  • Substitua auto-crítica por clareza
    “Isto provavelmente está errado” pode passar a “Este é o meu raciocínio neste momento; fico contente por o ajustar.” Sinaliza abertura, não insegurança.
  • Corte o enchimento do “só” e do “apenas”
    “Eu só tenho uma pergunta” transforma-se em “Tenho uma pergunta.” “Eu apenas fiz um rascunho” torna-se “Aqui está o rascunho.” Linguagem simples, limpa, adulta.
  • Use uma frase forte para ancorar a sua voz
    Por exemplo: “Eis o que eu vejo.” Ou “Da minha parte…” Estes inícios colocam-no(a) na conversa, em vez de fora dela.
  • Pratique em voz alta quando não há ninguém por perto
    Diga a sua ideia ao espelho ou numa nota de voz, sem quaisquer avisos. A sua boca precisa de se habituar a este novo ritmo, mais estável.

As frases que larga… e a identidade que recupera em silêncio

Quando começa a reparar nestas frases de baixa confiança, começa a ouvi-las em todo o lado.
No trabalho, nos casais, entre amigos.
Soam como ruído de fundo, mas moldam quem é ouvido e quem vai, lentamente, desaparecendo.

Mudá-las não é tornar-se barulhento(a) ou perfeito(a).
É falar como alguém que acredita que a sua presença não precisa de um pedido de desculpas.
Alguém cujas ideias podem estar “em desenvolvimento” sem serem previamente declaradas “estúpidas”.

Pode notar que, à medida que a sua linguagem muda, o seu corpo acompanha.
Senta-se um pouco mais direito(a) quando não começa com “Desculpem, isto provavelmente não é nada…”
Respira mais fundo quando diz “Eis a minha opinião”, em vez de “Não tenho a certeza, mas…”

Esse pequeno ar extra muda o seu tom.
As pessoas sentem-no antes de o entenderem.
A confiança, vista de fora, muitas vezes parece apenas uma pessoa que fala sem estar constantemente a pôr o pé em cima de si própria.

E sim, ainda haverá dias em que recai em hábitos antigos, pedindo desculpa por existir ou diminuindo as suas ideias.
Isso não apaga o progresso. Só significa que o seu cérebro está a reprogramar-se a um ritmo humano.

Repare numa frase por dia. Troque-a, uma vez.
Deixe acumular a evidência de que o mundo não desaba quando fala como se pertencesse ali.
Porque, por baixo de todas estas frases, há uma pergunta silenciosa:
Acredita o suficiente em si para falar sem primeiro pedir permissão?

Ponto-chave Detalhe Valor para o(a) leitor(a)
Frases de auto-sabotagem preventiva Expressões como “Isto pode soar estúpido, mas…” baixam as expectativas dos outros e as suas Ajuda-o(a) a identificar as frases exactas que drenam a sua credibilidade
Pedir desculpa cronicamente “Desculpe” desnecessário sinaliza baixo estatuto e treina culpa por simplesmente existir Mostra onde se está inconscientemente a diminuir no dia a dia
Substituições linguísticas práticas Trocar desculpas e avisos por formulações claras e assentes Dá-lhe alternativas prontas para soar mais confiante de imediato

FAQ:

  • Pergunta 1
    Como sei se uma frase mostra mesmo falta de confiança ou se estou apenas a ser educado(a)?
    A educação não o(a) diminui. Se uma frase o(a) faz soar mais pequeno(a), mais estúpido(a) ou como um incómodo antes de sequer falar, tem mais a ver com insegurança do que com simpatia.
  • Pergunta 2
    Não vou soar arrogante se deixar de dizer coisas como “Não sou especialista, mas…”?
    Pode manter a humildade sendo específico(a). Diga “Eis o que tenho observado até agora” ou “Pela minha experiência com X…”, o que é sólido sem se rebaixar.
  • Pergunta 3
    É assim tão grave dizer “desculpa” muitas vezes?
    Um “desculpa” não destrói a sua confiança. O padrão, sim. Repeti-lo ensina o seu cérebro que as suas necessidades e a sua presença são um incómodo.
  • Pergunta 4
    Qual é uma frase que posso deixar de usar hoje para soar mais confiante no trabalho?
    Largue “Eu só tenho uma pergunta rápida.” Diga “Tenho uma pergunta.” É uma mudança pequena que coloca a sua voz ao mesmo nível de toda a gente.
  • Pergunta 5
    Quanto tempo demora a mudar estes hábitos verbais de forma duradoura?
    A maioria das pessoas nota diferença em poucas semanas de prática consistente. O segredo é apanhar uma frase de cada vez, não tentar reescrever a personalidade inteira de um dia para o outro.

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