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Penteados depois dos 70: o “corte trixie” é o corte curto rejuvenescedor ideal para mudar o visual nesta primavera-verão.

Mulher sorridente no cabeleireiro, com cabelo curto, enquanto estilista ajusta seu penteado.

O salão de cabeleireiro já fervilhava quando ela entrou, lenço cuidadosamente atado, batom aplicado com precisão, mas com aquele passo hesitante de quem já não faz nada arrojado há algum tempo. “Só quero voltar a parecer eu”, disse à cabeleireira, enquanto os dedos torciam nervosamente as pontas do seu bob ralo. Na cadeira ao lado, uma revista estava aberta numa foto de um corte curto e moderno: em camadas, leve, um pouco rebelde. A stylist tocou na página e sorriu: “Já ouviu falar do corte trixie?”

Ela franziu o sobrolho, curiosa. Depois, entregou os óculos - como um pequeno acto de rendição.

Vinte minutos depois, parecia dez anos mais leve. Não mais nova no papel. Mais leve no olhar.

Toda a gente no salão se virou para ver.

O corte trixie: o impulso curto e certeiro depois dos 70

O “corte trixie” é daqueles cortes que se notam sem se perceber bem porquê. Curto, mas não severo. Feminino, mas sem excessos. Em mulheres com mais de 70, tem um efeito surpreendente: apaga as linhas de cansaço sem fingir apagar o tempo. A base é simples: mais curto na nuca, ligeiramente mais comprido no topo, camadas suaves à volta do rosto.

O que muda tudo é o movimento. O cabelo ganha leveza e levanta da raiz, há volume sem efeito “capacete”, e o pescoço fica livre. Em cabelos grisalhos, brancos ou “sal e pimenta”, a forma apanha a luz e, de repente, o rosto parece mais aberto, mais desperto, quase maroto.

Não grita “anti-idade”. Sussurra: “Ainda estou aqui”.

Pergunte a qualquer stylist experiente que trabalhe muito com clientes acima dos 65 e vai ouvir o mesmo: o ponto de viragem costuma chegar por volta dos 70. A cliente entra cansada do mesmo bob ou dos caracóis armados que usa há vinte anos. Uma disse-me: “O meu cabelo deixou de me obedecer.”

É muitas vezes aí que o trixie aparece no espelho como proposta. Pode não ter esse nome em todos os salões, mas já o viu: aquele curto fresco, ligeiramente rock, que faz uma avó parecer que acabou de voltar de uma escapadinha à cidade - e não de uma consulta médica.

Uma stylist parisiense guarda no telemóvel fotos de clientes “antes/depois trixie” e confidencia que as clientes com mais de 70 são as que mais selfies publicam depois da transformação. Isso diz qualquer coisa.

Há uma razão lógica para este corte funcionar tão bem depois dos 70. O cabelo afina, a raiz perde força, as pontas espigam. Cortes longos ou médios passam a exigir muita escova só para evitar aquele efeito “cortina cansada” à volta do rosto. Formas curtas em camadas, como o trixie, usam essas mudanças a seu favor.

Ao encurtar o comprimento e aliviar o peso, o cabelo recupera elasticidade de forma natural. As camadas criam altura no topo em vez de puxarem os traços para baixo. Orelhas e pescoço à mostra afinam a silhueta e, visualmente, levantam a linha do maxilar e as maçãs do rosto - sem tocar numa seringa.

Nesta idade, o rosto conta uma história. O trixie não a apaga. Reenquadra-a com melhor luz.

Como pedir - e usar - o corte trixie depois dos 70

A melhor forma de conseguir um bom trixie não é decorar termos técnicos; é entrar com imagens. Capturas de ecrã, recortes de revistas, uma foto de uma actriz de que goste na sua idade - esse é o ponto de partida. Depois, fale simples: curto na nuca, mais suave à volta do rosto, algum volume em cima, nada rígido.

Peça à cabeleireira para manter um pouco de comprimento no topo para o corte não ficar “chapado”, e alguma suavidade por cima das orelhas se não gosta de as ter totalmente expostas. Uma boa profissional adapta o trixie à sua textura de cabelo - e não o contrário.

A chave verdadeira é a linha da nuca: limpa, mas não rapada, a seguir o seu crescimento natural. Esse pequeno detalhe é, muitas vezes, a diferença entre “fresco” e “institucional”.

É aqui que muitas mulheres com mais de 70 hesitam. Têm medo de “cortar demais”, de parecer “um rapaz”, de se arrependerem em casa, em frente ao espelho da casa de banho. O medo é real, sobretudo se usou o cabelo comprido a vida toda.

Um truque suave é pedir um “trixie progressivo”. A stylist começa com um bob em camadas, relativamente curto, e depois, de seis em seis semanas, vai encurtando e aligeirando. O seu olhar tem tempo de se habituar ao novo “eu”. E quem a rodeia também.

E se não tem energia para fazer escova todos os dias, diga-o claramente. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Um bom trixie deve continuar a ficar apresentável quando seca ao natural.

A este respeito, a stylist Elena R., que trabalha sobretudo com clientes 60+, resume bem: “Depois dos 70, um corte curto não deve castigá-la. Deve libertá-la. Se o novo penteado demora mais a gerir do que o antigo, algo correu mal na consulta.”

  • Peça uma rotina fácil
    Diga à cabeleireira que quer um corte que não exija mais de 5 a 10 minutos nos dias normais: levantar a raiz com os dedos, talvez um toque de mousse leve, nada mais.

  • Escolha produtos de textura suaves
    Nesta idade, o couro cabeludo e o cabelo tendem a ser mais secos. Uma quantidade do tamanho de uma ervilha de pasta flexível ou creme chega. Evite géis duros, que “congelam” os fios e endurecem as feições.

  • Pense nos seus óculos
    Leve-os ao salão e coloque-os antes da verificação final. As hastes da armação e a zona das patilhas interagem muito com este tipo de corte. O trixie deve enquadrar - não competir com - os seus óculos.

  • Planeie o ritmo dos cortes de manutenção
    Para manter a forma, o ideal é de 5 em 5 a 7 em 7 semanas. Mais do que isso e o corte pode “cair” e perder o efeito jovem. O cabelo não respeita aniversários; continua simplesmente a crescer.

  • Ouça a sua intuição
    Se se sente mais leve assim que caem as primeiras mechas, está no caminho certo. Se a ansiedade sobe no peito, abrande, fale e ajuste. Uma boa stylist prefere cortar menos do que cortar demais.

Um novo corte, uma nova estação… e um novo lugar no espelho

Há algo silencioso que acontece depois de uma grande mudança de cabelo aos 70. Não se transforma de repente noutra pessoa. Continua a ser você, com as mesmas mãos, o mesmo ritmo, a mesma gargalhada. No entanto, a forma como ocupa o espelho muda um pouco. Levanta o olhar mais depressa ao passar por uma montra. Deixa de se esconder atrás da franja ou daquele rabo-de-cavalo antigo.

Muitas mulheres dizem que o trixie lhes dá um efeito secundário inesperado: uma nova vontade de usar roupas que já têm. O decote aparece, os brincos destacam-se, uma camisa simples passa a parecer mais “composta”. A luz da primavera-verão faz o resto, a passar entre as madeixas e a apanhar o prateado do cabelo.

Todas já vivemos aquele momento em que o exterior finalmente coincide com a energia que ainda sentimos por dentro. Para algumas, esse alinhamento vem com uma mudança de casa, um hobby novo, um romance tardio. Para outras, começa numa cadeira de salão, com uma frase firme para a cabeleireira: “Vamos mais curto.”

O trixie não resolve tudo. Mas pode ser esse gesto pequeno e decisivo que diz ao mundo - e a si mesma - que a idade não é uma cortina a fechar; é apenas um novo acto. E nesta primavera-verão, as luzes do palco são mais suaves, mais quentes e, estranhamente, muito favoráveis a uma nuca bem cortada.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Forma do corte trixie Nuca curta, topo em camadas, contornos suaves à volta do rosto Ajuda a visualizar o que pedir no salão e a evitar mal-entendidos
Adaptado a cabelo maduro Aproveita o afinamento e a textura naturais para criar volume, em vez de os combater Reduz o tempo diário de styling e valoriza os traços sem produtos pesados
Impacto psicológico Dá sensação de leveza, modernidade e confiança renovada depois dos 70 Incentiva a abraçar a mudança e a ver a idade como um trunfo de estilo, não um limite

FAQ:

  • O corte trixie é indicado para cabelo muito fino e ralo depois dos 70?
    Sim, é um dos cortes que melhor funciona em cabelo fino. Ao reduzir o comprimento e adicionar camadas suaves, cria elevação na raiz e evita o efeito “colado” que estilos mais compridos podem provocar em cabelo ralo.

  • Tenho de pintar o cabelo para o trixie ficar bem?
    De todo. A própria forma do corte já traz movimento e dimensão. Em cabelo grisalho ou branco natural, pode ficar muito elegante. Algumas mulheres apenas fazem um tonalizante subtil para suavizar tons amarelados, mas é opcional.

  • Com que frequência devo cortar um trixie para manter o efeito jovem?
    O ideal é de 5 em 5 a 7 em 7 semanas. Depois disso, a nuca cresce, o volume desce e o corte pode parecer mais pesado, o que reduz o efeito de lifting à volta do rosto.

  • Posso pentear um trixie sem secador na minha idade?
    Sim, se o corte estiver bem feito. Seque com a toalha com suavidade, aplique uma pequena quantidade de mousse leve ou creme, levante a raiz com os dedos e deixe secar ao ar. Em ocasiões especiais, um toque rápido de secador dá mais acabamento.

  • O que digo à cabeleireira se ela não conhecer o termo “corte trixie”?
    Use palavras simples: corte curto em camadas, nuca limpa, volume no topo, suavidade à volta do rosto, não rapado, não espetado. Leve duas ou três fotos parecidas com o que quer e explique quanto tempo está disposta a dedicar ao styling.

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