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Mesmo no frio por que os especialistas aconselham ventilar o apartamento todos os dias no inverno

Pessoa abre janela, termómetro digital indica 72% humidade e 16.8°C. Copo de água e ventilador em cima da mesa.

No inverno é tentador “fechar tudo” para reter o calor. O problema é que, ao fechar, também se acumulam humidade, odores, partículas e CO₂. Arejar diariamente (curto e eficaz) costuma melhorar o conforto, reduzir condensação e até facilitar o aquecimento - sobretudo em apartamentos bem isolados, onde o ar se renova pouco.

O medo de “perder o calor” - e o que realmente se perde

Abrir janelas deixa entrar ar frio, mas o ar interior parado fica rapidamente mais húmido. Essa humidade condensa nas superfícies frias (vidros, cantos, paredes viradas a norte), criando água visível e, com o tempo, bolor.

O “paradoxo” é simples: uma casa húmida parece mais fria e pede mais aquecimento para dar conforto. E quando há condensação frequente, o risco de bolor e alergénios aumenta - algo que ambientadores não resolvem.

Detalhe útil: ar frio do exterior costuma ter menos humidade “total”. Ao entrar e aquecer, a humidade relativa desce, ajudando a secar o interior (desde que a ventilação seja curta e com boa troca de ar).

O que a ventilação diária resolve (mesmo quando “não se vê”)

Dentro de casa há fontes constantes de vapor e poluentes: respiração, duches, cozinhar (sobretudo a gás), secar roupa, sprays de limpeza, tintas e algum mobiliário (COV).

Ao renovar o ar, reduz-se:

  • Humidade em excesso (acima de ~60% favorece bolor e ácaros; abaixo de ~40% tende a secar o ar e irritar vias respiratórias)
  • CO₂ (em casas fechadas sobe depressa; como regra prática, valores persistentes acima de ~1000 ppm sugerem pouca renovação)
  • Odores e partículas (cozinha, fritos, fumo, pó)
  • Condensação nas janelas (um “aviso” de vapor preso)

Nota prática: um higrómetro simples (humidade) ajuda muito a perceber se o problema é ventilação, hábitos (banhos/cozinha/secar roupa) ou pontes térmicas.

A forma que os especialistas preferem: curto, forte e com corrente de ar

Não é a mesma coisa ventilar 5–10 minutos com corrente de ar ou deixar uma janela “no trinco” durante horas. A ventilação curta troca o ar e arrefece menos paredes e mobiliário; a janela entreaberta vai arrefecendo tudo lentamente e torna a recuperação mais demorada.

Rotina simples (adapte à sua casa):

  1. Manhã: abrir bem 2 janelas em lados opostos, 5–10 min (ou uma janela + porta para criar corrente).
  2. Após duche e cozinha: 5 min com a porta da divisão fechada; se tiver exaustor/extrator, mantenha-o ligado mais 10–15 min.
  3. Fim do dia: mais 5–10 min, sobretudo com muita gente em casa (quartos/sala).

Se só fizer uma vez, faça com corrente e por pouco tempo.

Como ventilar sem transformar o apartamento num frigorífico

O objetivo é trocar o ar sem arrefecer a casa toda. Regras que normalmente funcionam:

  • Ventile curto e a sério: melhor 5–10 min bem aberto do que 1 hora entreaberto.
  • Durante a ventilação, reduza/pare o aquecimento (radiadores/AC) para não aquecer “a rua”.
  • Feche portas para concentrar a corrente onde interessa (cozinha/IS) e não espalhar ar húmido para zonas frias.
  • Corte vapor na origem: tampas nas panelas, exaustor ligado, e no banho extrator + porta fechada.
  • Evite secar roupa sem ventilação; se for inevitável, faça uma ventilação extra e, se possível, use desumidificador (baixa a humidade, mas não substitui ar novo).
  • Atenção a aparelhos a gás: não tape grelhas de ventilação permanentes (esquentadores/caldeiras). Boa ventilação também é uma questão de segurança.

Mesmo em dias frios e chuvosos vale a pena ventilar - apenas com mais disciplina no “pouco tempo, muita troca”.

Sinais de que a casa está a pedir mais ar (e menos desculpas)

Antes do bolor “a sério”, costumam aparecer sinais. Se notar vários destes com frequência, aumente a ventilação e reduza fontes de vapor:

  • Vidros embaciados quase todos os dias (especialmente de manhã)
  • Cheiro a “fechado” ao entrar
  • Pontos/manchas escuras em cantos, atrás de móveis encostados a paredes frias, junto a caixilharias
  • Toalhas/roupa que demoram demasiado a secar
  • Ar pesado e sonolência em salas/quartos cheios

Dica prática: afastar móveis 3–5 cm de paredes exteriores melhora a circulação de ar e reduz zonas frias onde o bolor costuma começar.

Ajustes finos: quando (e como) adaptar ao exterior

Há dias em que o ar exterior está pior (tráfego, fumo, poeiras, pólen, obras). Nesses casos, a solução costuma ser ventilar menos tempo e na melhor hora, não “nunca abrir”.

  • Perto de vias movimentadas: prefira meio da manhã ou após o pico do fim do dia.
  • Fumo/poeiras na rua: faça ventilações muito curtas e aposte na extração nas zonas húmidas.
  • Se tiver VMC ou grelhas de admissão: não as tape; verifique filtros/limpeza e se as entradas de ar não estão obstruídas (cortinados, móveis, tinta).
O que fazer Quanto tempo Para quê
Ventilação com corrente 5–10 min Trocar ar sem arrefecer paredes/móveis
Arejar após duche/cozinha 5 min Cortar a humidade na origem
Monitorizar humidade (higrómetro) diário Manter ~40–60% e prevenir bolor

FAQ:

  • Porque é que a casa fica mais fria quando há muita humidade? Porque aumenta a sensação de frio e a condensação em superfícies frias reduz o conforto; além disso, a humidade favorece bolor e ácaros.
  • É melhor abrir pouco tempo ou deixar a janela entreaberta? Regra prática: pouco tempo e bem aberto, de preferência com corrente. Entreabrir durante horas tende a arrefecer paredes/móveis e a gastar mais energia.
  • Quantas vezes por dia devo ventilar no inverno? Em muitas casas, 2–3 ventilações curtas resultam bem (manhã + após banho/cozinha + fim do dia). Se houver condensação diária, acrescente mais 1 ventilação curta.
  • Se estiver a chover, faz sentido ventilar? Sim. Mesmo com chuva, o ar novo ajuda a remover vapor e CO₂ do interior; apenas deve ser mais curto e eficiente.
  • Um desumidificador substitui a ventilação? Ajuda a baixar a humidade (útil para secar roupa e reduzir condensação), mas não substitui totalmente a renovação do ar: CO₂, odores e alguns poluentes continuam a acumular.

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